Assespro-SP defende inclusão de portadores de necessidades especiais em empresas de TI

Já não é novidade que estamos enfrentando um período turbulento de crise em nosso país. Mesmo assim, alguns setores desafiam os números negativos e continuam a gerar empregos, como é o caso do mercado de TI, com demanda alta e falta de mão-de-obra qualificada.

Segundo o estudo The Network Skills in Latin America, até o final desta década faltarão 449 mil profissionais de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, sendo que o Brasil é o país com maior carência na região. A situação faz até algumas empresas buscarem candidatos do exterior.

Diante de um cenário como esse, restam às perguntas: como preencher essa lacuna? Como garantir a continuidade do crescimento do setor e promover a empregabilidade de mais pessoas?

Nós da Assespro-SP defendemos como uma das principais alternativas a ideia da inclusão dos portadores de deficiência nas empresas de TI. Acreditamos que há muito o que se fazer neste sentido e a Lei de Cotas (8.213/91), determina que as organizações com mais de 100 funcionários reservem de 2% a 5% das vagas para PCDs ou reabilitados, é apenas uma das inúmeras iniciativas para melhorar a situação dessas pessoas.

De acordo com o presidente da Assespro-SP, Eduardo Nistal, os desafios no segmento de TI são grandes porque há muita carência na área técnica, mas a tecnologia existe e deve ser usada em benefício do próprio setor. “Por sua natureza, o setor de TI caminha à frente de seu tempo e pode absorver profissionais que, se capacitados, não ficariam relegados a funções abaixo de sua capacidade”, ressalta.

Como forma de apoio e orientação às empresas associadas, a Assespro-SP desenvolve ações em parceria com o Instituto Tecnológico Impacta (ITI), braço social do Grupo Educacional Impacta, o qual oferece o Programa Jovem Aprendiz com cursos que promovem a inclusão social e digital, capacitando os adolescentes para o mercado de trabalho. A entidade apóia também o IOS (Instituto da Oportunidade Social).

Dados do último censo demográfico (2010) apontam que 23,9% da população residente no Brasil têm algum tipo de deficiência visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. São 45,6 milhões de pessoas que, com um processo de reabilitação adequado, podem ser produtivas e contribuírem para o crescimento do país.

“É preciso entender que a pessoa portadora de deficiência não é incapaz. Um surdo, por exemplo, pode oralizar se passar por um tratamento fonoaudiólogo. Se tivermos facilidade de acesso a escolas, um melhor preparo dos professores e material didático correto, essa parcela da população pode aprimorar o nível de escolaridade e se qualificar para o mercado de trabalho”.

Para o presidente da Assespro-SP, as organizações, por sua vez, precisam oferecer um ambiente acolhedor, com equipes treinadas e espaços adaptados. Mais do que isso, devem avaliar o desempenho de forma separada da deficiência e entender que a capacidade do profissional não tem necessariamente relação com sua deficiência. “Há pessoas com ótima formação acadêmica e grande potencial de desenvolvimento que muitas vezes são alocadas em cargos inferiores a sua capacidade”, cita.

Nistal expõe ainda informações de um estudo inédito, encomendado pelo Instituto Alana e realizado pela consultoria MCKinsey, onde se constatou que a inclusão de pessoas com síndrome de down nas organizações gera um impacto positivo na liderança, satisfação do cliente, cultura e clima organizacional e motivação da equipe.

Segundo ele, algumas ocupações, por exemplo, podem ser totalmente adaptadas para os portadores de deficiência. “É preciso mudar a cultura empresarial e reconhecer que essas pessoas são profissionais capazes como quaisquer outros. Empresas, poder público, entidades de classe, instituições educacionais e candidatos devem unir esforços para, juntos, ultrapassarem as pedras no caminho da inclusão”, finaliza o executivo.

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