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2011/02/11 - Governo quer fazer censo de profissionais de TI para que apagão não comprometa crescimento do país

O Globo


Governo quer fazer censo de profissionais de TI para que apagão não comprometa crescimento do país

O Globo, com informações da Agência Brasil

RIO — Para medir a carência de mão de obra qualificada no Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) deverá fazer um censo dos profissionais da área tecnológica em todo o país. A sugestão partiu do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). O presidente do órgão, Marcos Túlio de Melo, e o secretário de Comércio e Serviços do MDIC, Humberto Ribeiro, já discutiram a necessidade de realizar o levantamento.

Segundo um levantamento da Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex), atualmente, o déficit de mão de obra é de pelo menos 70 mil de profissionais, e poderá chegar a 200 mil em 2013. A meta do setor seria ampliar de 3,5% para 5,3% a participação de TI no PIB até 2020.

— As áreas tecnológicas por alguma razão não estão sendo tão atraentes para os jovens nos dia atuais, então, o que precisamos, é investir na atração de estudantes. Lembrando que, dentro da área de TI, temos algumas funções que não necessitam de formação universitária, trata-se de mão de obra técnica, cada vez mais escassa. E esse não é um problema do Brasil, é um problema mundial — ressalta Roberto Mayer, vice-presidente de Relações Públicas da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro).

De acordo com o presidente do Confea, o censo é essencial para que um apagão de mão de obra qualificada na área de tecnologia da informação (TI) não comprometa o crescimento do país no médio e no longo prazo.

— Essa seria apenas a primeira de uma série de medidas necessárias para evitar um gargalo no mercado de trabalho e nos investimentos em infraestrutura, como os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo e a exploração do pré-sal — ressalta.

Para Melo, o conhecimento da capacidade efetiva dos engenheiros e dos profissionais de tecnologia formados no país permitiria o desenvolvimento de políticas precisas para o setor.

— Temos de saber onde esses profissionais estão, se trabalham nas áreas em que se formaram, se têm domínio de língua estrangeira e se estão dispostos a se habilitarem — afirma. — O conhecimento desse potencial viabiliza políticas concretas para oferecer atualizações profissionais.

Numa segunda etapa, explica Melo, o censo serviria de base para a criação de cursos de capacitação por universidades e grandes empresas. Ele, no entanto, admite que, no curto e no médio prazo, parte das vagas terá de ser ocupada por profissionais do exterior porque o país não terá como suprir as carências de imediato.

— De 2006 para cá, dobrou o número de engenheiros formados no Brasil, mas essa mão de obra não é especializada. A demanda é qualitativa, não quantitativa.

O presidente do Confea diz estar disposto a acordos que acelerem a entrada de mão de obra estrangeira, desde que haja reciprocidade e profissionais brasileiros possam trabalhar em empresas dos países desenvolvidos no futuro.

— Se realmente houver necessidade de entrada de mão de obra estrangeira, que eles atuem legalmente no país e sejam registrados nos conselhos profissionais, mas a Europa e os Estados Unidos precisam abrir o mercado de trabalho para nós quando se recuperarem da crise econômica.

Segundo o Confea, o número de pedidos de registro, no Brasil, de profissionais diplomados no exterior triplicou em 2010, de 115 processos anuais para cerca de 400. A fila de espera inclui engenheiros e arquitetos de Portugal, Espanha, Itália, Estados Unidos, Inglaterra, Chile e Argentina.

A realização do censo envolverá a articulação de diversos setores do governo. Além do MDIC, que conduzirá os trabalhos, o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) cuidará da certificação dos profissionais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desenvolverá a metodologia de pesquisa e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) contribuirá com estudos já realizados.


Matéria orignalmente publicada em http://extra.globo.com/emprego/governo-quer-fazer-censo-de-profissionais-de-ti-para-que-apagao-nao-comprometa-crescimento-do-pais-1048723.html
 

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