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2010/10 - Edição 41 do Boletim "Assespro em Destaque"

Leia aqui a 41a edição do boletim "Assespro em Destaque"



Parcerias estratégicas para ganhar mercado
por Roberto Carlos Mayer*
 
No último dia 19, tivemos a oportunidade de participar do primeiro seminário com empresas argentinas de Tecnologia da Informação realizado em São Paulo. Um grupo de empresas veio ao Brasil para mostrar os seus produtos e serviços e buscar parceiras com empresas brasileiras.
Oportunidades como esta são essenciais para fazermos novos negócios e termos acesso a informações sobre mercados potenciais. Quando desejamos ingressar em outros países, é fundamental conhecermos o público, a cultura, as necessidades e os procedimentos de cada país. Mesmo com vizinhos tão próximos, as mudanças são grandes e as necessidades de adaptações também.
Neste seminário nos foi apresentado todos os pontos positivos e negativos para ingressar no Brasil, assim como conhecemos um pouco mais sobre o funcionamento do mercado argentino. Sobre o nosso País, precisamos sempre destacar a nossa dimensão. O Brasil possui 195 milhões de habitantes e não é mais um país agrícola. Pelo contrário. O setor de serviços, no qual o setor de TI está incluído, responde por 54% do PIB, contra 28% da indústria e 18% da agropecuária. Somos uma economia aberta e possuímos mais de 5,5 milhões de empresas formais. Somente o setor de TI movimenta US$ 15 bilhões em negócios ao ano.
Porém, temos problemas sérios internos que acabam por comprometer também a nossa competitividade externa.  Temos cerca de 700 mil profissionais formados em TI e apenas 300 mil estão empregados na área. A maior parte faz parte de micro e pequenas empresas e temos também barreiras com relação ao próprio idioma. Além do fato de falarmos português,  temos poucos profissionais que dominam o inglês ou o espanhol. Este é um déficit grande do setor e que precisamos resolver para aumentar a nossa competitividade externa.
Outro grande - senão o maior - problema do nosso setor  é a questão tributária. Se para muitos empresários brasileiros já é difícil compreender a nossa legislação, imagine para uma empresa de outro país. O nosso sistema tributário, que inclui ISS, PIS, Cofins e tantos outros impostos e contribuições, exerce também a função de barreira para os produtos e serviços. É difícil e caro produzir, comercializar e exportar produtos e serviços de TI no Brasil.
Mesmo com todos os entraves, é possível desenvolver e comercializar produtos no Brasil e a partir do Brasil. O seminário, além de expor informações sobre os mercados brasileiro e argentino, também trouxe cases de sucesso para mostrar como podemos superar todos os obstáculos.
Do lado brasileiro, a TOTVS é um exemplo de empresa que desenvolve internamente e expandiu as suas atividades para outros países, incluindo a Argentina. Já o Grupo Assa é um caso de sucesso de empresa argentina que encontrou no Brasil um grande mercado.
Conhecer e debater situações como estas são essenciais para conseguirmos avançar. E este é o nosso objetivo.
Boa Leitura!

* Presidente da Assespro-SP e diretor da MBI

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São Paulo realiza I Seminário e Missão TI com empresas da Argentina 
 
A Assespro-SP e o Consulado Geral da República Argentina organizaram, no dia 19 de outubro, o I Seminário e Missão Setorial das Empresas de Software da Argentina em São Paulo. O evento, dividido em três blocos, com três temas e sete palestrantes, teve por objetivo fortalecer os vínculos da Argentina com o nosso País.
Os temas abordados foram o “Mercado de TI na Argentina e no Brasil – Oportunidades de negócios”, “Como operar nos mercados argentino e brasileiro” e “Experiências Empresariais”.
O primeiro bloco contou com a participação de José Maria Louzao, presidente da Câmara de Empresas de Software e Serviços de Informática da República Argentina (CESSI), e de Roberto Carlos Mayer, presidente da Assespro-SP. Ambos discursaram sobre o país de origem, especificando pontos econômicos e setoriais semelhantes e divergentes entre os vizinhos. Louzao, o primeiro a se apresentar, abordou o crescimento da Argentina que, após as crises de 2002, caiu de 20% ao ano para 7%, e crise mundial de 2008. “Depois da crise, tivemos uma lei de incentivo à expansão econômica. Nela, as empresas se comprometeram em exportar mais de 8% do faturamento. Para fomentar, o governo reduziu 70% da carga tributária, aumentando a competitividade e facilitando as negociações”, afirmou.
Do lado brasileiro, o presidente da Assespro-SP, Roberto Mayer, expôs números e dados interessantes que colocam o País entre os mais favoráveis para negociações. Segundo dados apresentados, no ano passado, o Brasil atingiu a marca de US$ 15 bilhões em vendas de produtos de TI, sendo o 3º país do mundo a comercializar processadores no mercado. Porém, no que se refere ao quadro de mão de obra, o País possui cerca de 700 mil profissionais formados em TI e apenas 300 mil estão empregados na área. “O Brasil não pode apenas formar profissionais, é necessário um plano de integração no mercado de trabalho”, analisa. 
Entre os pontos negativos, Mayer também expôs as barreiras comerciais existentes no Brasil, além da estrutura complexa do sistema tributário. “O Brasil é o país que mais se paga impostos no mundo. Há inúmeros, como ISS, PIS, CONFINS, entre outras. De fato, essa questão reflete no setor e dificulta a negociação com demais países”, completa.
Após a apresentação de um cenário sobre os dois países, o seminário seguiu com a palestra sobre “Como operar no mercado argentino e brasileiro”, ministrada pelos Drs. Alan Apolidório e Alexandre Borges, do escritório Benício Advogados Associados, e pelo argentino Dr. Gabriel Kuznietz, do Demarest & Almeida Advogados Associados.
Na 3ª etapa, o tema “Experiências Empresariais” foi apresentado por Federico Tagliani, vice-presidente e country manager do Grupo ASSA, e Luciano Bezerra, gestor de operações Cone Sul da TOTVS. Há 14 anos no Brasil, o Grupo ASSA apontou o País como o de maior contribuição na receita do grupo. Segundo Tagliani, a experiência no Brasil foi complicada por conta de particularidades do mercado e a complexidade da legislação que definiu como “a morte dos negócios”.
O executivo ressaltou os principais pontos que as empresas estrangeiras interessadas em negociar com o Brasil devem se atentar. Entre eles, estão o capital intelectual mais crítico que o financeiro, a decisão do perfil da equipe, o entendimento da cultura brasileira,  a variação cambial e estar sempre aberto a aprender e receber aportes.
O seminário ressaltou ainda a importância do primeiro acordo bilateral, firmado em 2008, entre a Assespro-SP e a CESSI. “Os dois países trabalham juntos no Mercosul e devemos focar as nossas atuações como verdadeiros sócios. Estamos na segunda fase de integração entre os dois países e juntos somos mais competitivos e fortes”, afirmou Sra. Teresita González Diáz, Cônsul Geral da República Argentina em São Paulo.  
 

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Sindpd São Paulo intensifica união do setor de TI e reforça apoio 
 
Após ampla divulgação do documento “O valor estratégico”, idealizado pelas entidades de TI para entrega aos presidenciáveis, o setor parte para encontros com outras organizações e sindicatos para alinhar as propostas e discutir soluções. A expectativa é que o setor continue crescendo com taxas superiores à expansão do PIB. E a escassez de profissionais é um dos grandes problemas que precisam ser combatidos para sustentar o crescimento.
Em entrevista ao Boletim Assespro-SP Em Destaque,  Antônio Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd), destaca a necessidade de capacitação e apóia a discussão com as entidades para contribuir com o desenvolvimento do setor. “Temos a consciência do déficit do setor e queremos discutir o que é estratégico para o desenvolvimento nacional e o que é fundamental para a categoria como um todo”, afirma. “É necessária a capacitação urgente de profissionais para sustentar o real crescimento do mercado de TI. Além disso, proficiência na língua inglesa é uma questão vital para os negócios”, acrescenta Neto.    
Além da capacitação, a questão tributária, principalmente os encargos que incidem na contratação de mão de obra também preocupa. Neto acredita que esses componentes potencializam os problemas do setor e devem entrar em discussão no Governo.  “Há um anacronismo em relação à tributação do setor, aos encargos sociais e a mão de obra. Diferentemente de outras indústrias, a mão de obra é o principal insumo das empresas de Tecnologia da Informação. Esse anacronismo vem desde 1940, visando a indústria e serviços. Mas hoje, a situação é diferente e estamos em um momento eleitoral ideal para levarmos as propostas adiante”, explica.
Para os sindicalistas, a reforma tributária é iminente para que o País consiga evoluir e alcançar fortes posições frente à concorrência. Nesse sentido, o presidente do Sindpd lembrou também a questão da informalidade que aflige o setor. “Temos um alto índice de informalidade no mercado, muito influenciado pela elevada tributação na folha de pagamento. Precisamos formalizar a parcela que atua informalmente”, reitera Neto.
Uma das propostas do sindicato para contribuir com o desenvolvimento do mercado é criar um fundo específico do setor de TI para a qualificação e certificação profissional. Segundo a proposta do Sindpd, o percentual que hoje é arrecadado e destinado para o Sistema S poderia ser revertido para o novo fundo. “Indicaríamos a criação de um fundo de investimento, gerido por empresários e trabalhadores, para a qualificação profissional. Atualmente, cerca de 25% da folha de pagamento vai para o Sistema S do comércio, o que poderia compor um fundo e retornar para o “S” do setor de TI”, afirma.
     Na avaliação da Assespro-SP,  a questão da redução da tributação deve ser discutida ampla e rapidamente para buscar um equilíbrio para as empresas, associações e sindicatos. “É necessário ponderar essas trocas de incidência de tributação e avaliar todas as situações e características das empresas. Acreditamos que não adianta aliviar a carga na folha de pagamento e tranferi-la para o faturamento. O setor é heterogêneo. Temos empresas que têm altos gastos com mão de obra, outras que empregam o mesmo tanto, mas não conseguem altos índices de faturamento”, ressalta Marcos Sakamoto, diretor de Soluções de Segurança e Serviços da Thales e diretor da Assespro-SP. 
Para Sakamoto, a ideia do fundo de investimento focado na profissionalização é interessante e pode ser uma solução para os problemas de qualificação.
www.sindsp.org.br


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AÇÃO Informática prevê crescimento de 45% e o incremento de soluções para canais e revendas corporativas
 

     Associada à Assespro-SP desde 2004, a AÇÃO Informática é uma distribuidora de  soluções de infraestrutura de TI para canais e revendas corporativas. No ano passado, a empresa registrou um aumento de 15% nas operações. Para 2010, as metas incluem o crescimento de 45%, o incremento da oferta de soluções para os canais e a geoexpansão da empresa.
Fundada em 1987, a empresa é pioneira na prática do modelo VAD (Value Added Distributor — Valores de Distribuição de Produtos) e atua com foco na distribuição de desktops/laptops thin clients, servers e storage, networking, security, softwares e energy systems. Atualmente, atende grandes fabricantes como IBM, ORACLE, EMC, VMWARE, Novell, RedHat, D-Link, Extreme Networks, EATON, Smart AVI, APPLICA, SONICWALL, eSpatial, NavTeq Maps, Novageo, Universal RH e HP.
Para se diferenciar da concorrência, a empresa desenvolvendo três áreas de atuação específicas. São elas: Solution Distributor, Valores de Distribuição de Produtos (VAD) e Volume Distributor.
“O nosso mix de produtos para os canais possibilita um portfólio completo em soluções de infraestrutura, o que facilita também para o consumidor, que encontra no mercado o máximo de alternativas”, afirma Marcelo Issa, diretor de canais e marketing do Grupo AÇÃO.
A área de atendimento da empresa também é segmentada. Há a segmentação entre mercado privado e público, além de uma segmentação por volume, com a comercialização de produtos Premium. “Além da segmentação por área de atuação, criamos quatro subdivisões, ou programas, que são utilizados para simplificar e agilizar o atendimento”, comenta Issa.
Os quatro programas classificados são: o AÇÃO Partner Program (APP), onde o canal é classificado de acordo com seu estágio evolutivo; o de Certificação, para canais focados em governo, como o e-Gov; o Enterprise Service Provider (ESP), que busca homologação como distribuidor de serviços;  e, por último, é um programa de desenvolvimento de negócio para os canais no mercado sul americano, que visa ampliar a área geográfica de atuação.
“Além dos programas, nós temos uma equipe de especialistas e arquitetos de produtos altamente treinados e certificados, para assegurar o suporte necessário a todos os canais em nível avançado”, comenta Issa.
O Grupo AÇÃO é um dos principais players da indústria de informática no Brasil. Em meados de 2008, adquiriu a companhia AKTIO, na Argentina e Uruguai, partindo para um plano de expansão internacional, com a criação de uma divisão para os países da América Latina. Em 2009, AKTIO também iniciou operações na Colômbia e Chile.


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Discussão irracional  
 
É inacreditável que governo, entidades de classe e trabalhadores tenham gasto tanto tempo e energia em torno de discussão tão bisonha quanto a forma de comprovar a confiabilidade do sistema de ponto eletrônico para controlar as horas extras trabalhadas nas empresas.
Perderam-se horas de discussão e infinitas reuniões para decidir se a emissão de um comprovante impresso cada vez que o empregado entra ou sai da empresa é a melhor forma de controle. É incrível que em plena Era da Informação, quando até o voto popular já é informatizado, ainda se discuta se um sistema eletrônico é ou não confiável.
Depois de meses de negociação sem acordo sobre se as empresas deveriam ou não emitir um papelzinho de registro a cada movimentação do empregado, empurrou-se a adoção do sistema para março de 2011. Se essa era a dúvida, melhor proibir, também, caixas eletrônicas nos bancos e voltarmos às filas intermináveis nas agências. Ou as compras pela Internet.
Imagine-se o tumulto ante as catracas de uma indústria como a Volkswagen, por exemplo, onde milhares de trabalhadores entram pela manhã, saem para o almoço, voltam uma hora depois e no final da tarde vão embora se todos precisarem ficar esperando que se imprima um papelzinho que comprove o que o eletrônico registrou. Isso é uma irracionalidade total.
A desconfiança em torno do sistema informatizado é a mesma que havia quando foram instaladas as primeiras caixas eletrônicas nas agências bancárias. Hoje ninguém mais duvida que o mostrado na tela seja, de fato, o retrato fiel de sua conta-corrente. Fraudes podem ocorrer em qualquer sistema, seja manual ou eletrônico. Mas esse não é um problema do equipamento, mas da polícia.
CONFIÁVEIS. Na esmagadora maioria dos casos os sistemas eletrônicos são muito mais confiáveis que os analógicos. Note-se que os desvios de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço eram muito mais frequentes quando o sistema não era informatizado. Hoje qualquer trabalhador recebe no contracheque a informação de quanto o empregador depositou na sua conta vinculada. E se tiver dúvida se o valor realmente foi depositado, basta entrar no portal da Caixa Econômica Federal e conferir.
Há inúmeras ferramentas disponíveis que permitiriam ao trabalhador comprovar se o seu horário de entrada e saída na empresa está registrado corretamente. Ele poderia receber todo fim de mês, com o contracheque, um relatório impresso com os horários trabalhados, assim como se faz com o FGTS. Ou a empresa instalar um sistema de verificação diária, ou até instantânea, pela Internet. É uma tecnologia corriqueira.
O que a discussão em torno dos comprovantes impressos evidenciou é, antes de tudo, a resistência da burocracia ao avanço tecnológico. Não é possível que, em pleno século XXI, ainda se perca tanto tempo em torno de um problema que não existe.
Diante da recente decisão do Supremo Tribunal Federal, negando a duas empresas recursos contra a suspensão da portaria que regulamentou o ponto eletrônico, o único caminho que restava para sanar o conflito era o da negociação direta com o Ministério do Trabalho.
Foi o que aconteceu, felizmente com resultado positivo. Após reunir-se com centrais sindicais, o ministro Carlos Lupi acaba de flexibilizar a decisão do governo, prometendo um novo estudo e admitindo que o ponto eletrônico passe a se basear, também, nos acordos coletivos.
É importante registrar a existência do diálogo e a necessidade de ampliá-lo para todos os setores, inclusive empresariais. O ideal é fugir da burocracia burra e procurar formas modernas que permitam o acesso ao controle de ponto, de forma a evitar prejuízos para os trabalhadores.

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