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2011/03 - Edição 45 -Perspectivas permanecem positivas para o mercado de software

Leia aqui a 45a edição do boletim "Assespro em Destaque"



Perspectivas permanecem positivas para o mercado de software

O mercado de software no Brasil apresenta perspectivas positivas de crescimento neste ano. Há uma forte consolidação das tendências tanto em relação à mobilidade, tais como novas ofertas de Software As a Service (SaaS) e cloud computing, além de maior relevância de soluções relacionadas à gestão de mercado e empresas e tecnologias transacionais e de inteligência competitiva, como o e-commerce/e-procurement e BI, respectivamente.

Especificamente o setor de software no Brasil deve crescer cerca de 20% e há indícios de que continue neste ritmo por toda a década que se inicia. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Gérson Schmitt, há muito para se fazer no País no que se refere ao segmento. “Isso porque, durante mais de dez anos, o setor esteve reprimido pela lei de informática, tornando-o jurássico naquele período. Depois, nos últimos oito anos, enfrentamos freios à criatividade causados pela política e inócua discussão de plataformas para a área pública que privilegiou o software livre. Neste período, apesar de todos os recursos pagos pelo contribuinte, não tivemos retorno suficiente em fomento, incentivos e liderança em modelo setorial por parte do governo. Exceção com destaque positivo feita ao apoio da FINEP para inovação”, analisa Schimitt.

No Brasil, as grandes companhias de software seguem um padrão de desenvolvimento e comercialização. Já as médias e pequenas empresas destes mercado normalmente desenvolvem para as grandes, seguindo um padrão já determinado pela companhia.  Para se tornarem competitivas, as pequenas e médias precisam de mais autonomia para atingir uma curva de maturidade e conseguir comercializar diretamente os seus produtos e serviços para o mercado.

Segundo pesquisa do IDC, sobre o perfil do setor de software no Brasil, aproximadamente 50%, ou nove mil empresas que atendem diretamente o mercado têm perfil de distribuidoras ou comercializadoras. O número total de companhias é pequeno se levarmos em consideração que muitas empresas de TI não aparecem em pesquisas oficiais por serem terceiras contratadas por empresas que detém um contrato de atendimento de algum cliente final.
Outros 25% do mercado são desenvolvedores de software e 25% prestadores de serviços.

Segundo dados da ABES, em 2009 o PIB do mercado doméstico de software e serviços foi de R$ 15 bilhões. Espera-se que este número possa ser cerca de 20% maior para os dados ainda não finalizados sobre 2010. “O Brasil é um país de grande criatividade e inovação, porém a certificação e garantia de metodologia com os padrões internacionais de qualidade de desenvolvimento não é uma vantagem competitiva brasileira. Sempre temos que nos comparar aos padrões do mercado externo”, explica Schmitt.

Para o executivo, o grande problema é que o País se comporta como um grande consumidor, não havendo exigências ou iniciativas em qualificação e certificações internas na proporção necessária para as empresas brasileiras atuarem no mesmo patamar exigido no padrão internacional . “Mas mesmo assim, nosso mercado interno é muito grande e temos ótimas empresas em atividade. Esses dois pontos são a base para uma reformulação do mercado que pode também vir a ser um grande exportador se conseguir empacotar mais soluções replicáveis com padrão world class e tiver menos foco na exportação de serviços, enquanto temos um custo Brasil altíssimo e falta de formação profissional”, analisa o presidente da ABES.

Para haver uma melhora significativa no País, são necessários evoluir em alguns pontos principais. Um deles é o padrão metodológico de desenvolvimento. No Brasil não há um padrão, pois o País cresceu de forma empírica e não padronizada. Outro ponto é formação suficiente de profissionais com domínio do idioma inglês para atendimento de clientes externos. O Brasil deve aprender a desenvolver softwares de caráter global e não local. Outro ponto relevante é intensificar o papel do governo como fomentador de um modelo setorial escalável, que privilegia soluções que empacotem inteligência replicável, com maior valor percebido e menor custo de atendimento do mercado. No modelo setorial atual, mais as dificuldades dos processo de compra impostas pelo maior consumidor, o governo, a indústria brasileira é muito frágil, pois 94% do mercado é de MPEs e todas têm dificuldade de investir.

Em uma década o Brasil deverá quadruplicar seu mercado doméstico de software e serviços para alcançar o patamar de US$ 60 bilhões por ano, como França e Reino Unido, e ainda terá um potencial de exportação de pelo menos um terço do tamanho deste mercado, se tiver a oferta e modelo exportador adequados.

“O mundo do software é fundamental para o desenvolvimento de qualquer empresa, portanto essencial para a economia mundial. Precisamos aumentar os investimentos e a competitividade para aumentar a produtividade interna”, analisa Luis Carvalho, diretor da Hexa Solution.

Na opinião do presidente da ABES, as empresas brasileiras necessitam de maior apoio do setor público, com mais  fomentos a projetos inovadores que resultem em soluções replicáveis de alta demanda e um país com menos custos operacionais e tributários. “Quanto mais o governo for parceiro dos setores empresariais, mais o País crescerá”, finaliza Schmitt. 
 


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