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2010/08/12 – Uba Web - Jogo de cena ou pra valer?

Matéria publicada no site Uba Web

Jogo de cena ou pra valer?

Roberto Carlos Mayer

Se considerarmos alguns dos acontecimentos recentes que envolvem, direta ou indiretamente, o setor tecnologia e telecomunicações, podemos afirmar que o último ano de mandato do atual governo tem sido uma caixa de surpresas. Independente dos objetivos e da urgência de algumas ações, precisamos avaliar quais as consequências de tais decisões e a forma como elas têm sido tomadas e encaminhadas pelo poder Executivo.
 
O primeiro exemplo, que já temos abordados bastante nos últimos meses, diz respeito às mudanças no Serpro. As decisões, que praticamente acabam com a possibilidade de o setor público ser um potencial cliente das empresas privadas de TI (Tecnologia da Informação), foram tomadas na calada da noite, de forma obscura, com a edição de uma Medida Provisória que não possuía nenhuma relação com o tema e sem debate público.
 
Outra decisão que podemos destacar é a criação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Lançado oficialmente no dia 05 de maio por meio de decreto presidencial, a medida ressuscitou a Telebrás, colocando em cheque, não só a privatização realizada há quase 12 anos, como a própria atuação da Anatel e levantando uma série de dúvida para os grandes players e pequenas empresas que atuam, direta ou indiretamente, neste segmento.
 
O objetivo do PNBL é ótimo: universalizar a banda larga e atingir 40 milhões de domicílios até 2014. No entanto, porque um assunto tão sério, de uma abrangência tão grande, foi decidido por meio de decreto presidencial e no último ano de mandato do atual governo? Trata-se apenas de um jogo de cena ou uma medida pra valer?
 
O PNBL afeta todo o segmento e levanta uma série de dúvidas, não só com relação ao futuro do setor como também à forma como foi criado. As irregularidades surgem logo no início, pelo fato de a Telebrás ter sido reativada, com mudanças nas suas finalidades, sem a apreciação de um projeto de Lei no Congresso Nacional.
 
A concentração dos investimentos em infra-estrutura e a relação entre a Telebrás e as demais empresas de telecomunicações são mais alguns pontos que levantam dúvidas sobre o futuro do PNBL. A discussão aumenta ainda mais se começarmos a avaliar a viabilidade de expandir a banda larga via cabos de fibra óptica, em plena era da conexão sem fio. A polêmica sobre o tema está apenas começando. Porém, precisamos ampliá-las para que, passada a eleição, o tema não caía no esquecimento e nos deixe apenas mais iniciativas irregulares.
 
Nota do Editor: Roberto Carlos Mayer é presidente da Assespro São Paulo, membro do conselho da Assespro Nacional (www.assespro-sp.org.br) e diretor da MBI.
 
Originalmente publicado em http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=31741

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