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2010/08/25 – Convergência Digital - Caso Serpro: Indústria de TI mantém desconforto com Estado concorrente
Matéria publicada no site Convergência Digital
Caso Serpro: Indústria de TI mantém desconforto com Estado concorrente
Durante apresentação nesta quarta-feira, 25/08, na capital paulista, do documento "O Valor Estratégico de Tecnologia da Informação", que será enviado para os principais candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais, as entidades setoriais - Abes, Assespro, Brasscom, Softex e Sucesu - ao discutir um dos pontos do material - a revisão do modelo de compras governamentais, sinalizaram desconforto com a internacionalização de desenvolvimento de software e serviços no Estado.Duas gigantes do governo federal estão na mira das críticas - Serpro e Dataprev, mas também houve reclamações com relação ao comportamento de centros estaduais como o Proderj, Prodesp e outros. Em junho, o presidente Lula assinou decreto que dispensa o Serpro de fazer licitações para a contratação de serviços de tecnologia. Temor é que essa regra vire norma na esfera governamental.
"Entendemos que quando o governo internaliza, podendo terceirizar, comete um pecado e isso prejudica a competitividade. Quando Serpro, Dataprev e Prods promovem concursos públicos, nos arrepia, pois tiram recursos públicos", afirmou Rubén Delgado, presidente da Assespro Nacional.
O presidente da Abes, Gérson Schmitt, acrescentou que "o Serpro representa o que não queríamos, queremos o Estado com parceiro. Eles (Serpro) não produzem impostos e exportação. O espírito precisa ser repensado, é desproporcional e desconfortável a força com que nos atinge." Por sua vez, o vice-presidente executivo da Softex, Arnaldo Bacha, observou que o ideal é ter o Estado parceiro e não competidor.
Com relação à mudança no pregão eletrônico, o documento "O valor estratégico de Tecnologia da Informação" conta com um item onde a indústria de software e serviços de TI reivindica a mudança de critério do preço por homem/hora para um modelo baseado na qualidade e nos benefícios do software contratado.
"Não podemos ter o nosso serviço contratado por preço. A técnica não deve ser relegada a um segundo plano. Isso gera problemas, surgem empresas sem qualificação que ganham o certame, não entregam o produto e arranham a credibilidade da indústria. Isso não pode acontecer. Temos que vender solução e não commodity", destacou Delgado, da Assespro.