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Brooklin Novo - São Paulo/SP

A Necessidade Global de Financiamento Sustentável e Divulgação de Informações: Perspectivas da Europa, Ásia e a Transição Ecológica em Andamento no Brasil

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O cenário socioeconômico global está passando por uma profunda transformação, impulsionada por uma demanda crescente e constante por projetos baseados na sustentabilidade ambiental, Financiamento Sustentável e responsabilidade social. Essa mudança está remodelando a estratégia corporativa, os mercados financeiros e as agendas de desenvolvimento nacional em todo o mundo. Do Parlamento Europeu, passando pelas bolsas de valores do Velho Continente até os vibrantes centros financeiros da Ásia, sem mencionar as florescentes economias latino-americanas baseadas em commodities, há, inequivocamente, um consenso entre todos os atores: a sustentabilidade não é mais apenas uma questão de conformidade, mas um impulsionador fundamental de competitividade, investimento e resiliência de negócios a longo prazo. Meu objetivo neste artigo, como estudioso do tema, é sumarizar os desenvolvimentos recentes nessas diferentes regiões, examinando a crescente demanda por estruturas de sustentabilidade (resilientes, produtivas e lucrativas), os inovadores mecanismos financeiros implementados para financiar a transição do nosso status quo como humanidade civilizada para “nosso futuro comum”, e o papel crítico das normas de divulgação globalmente alinhadas, como IFRS S1 e S2, na promoção de um futuro verdadeiramente sustentável (resiliente, produtivo e lucrativo).

 

A Necessidade Global de Financiamento Sustentável e Divulgação de Informações: Perspectivas da Europa, Ásia e a Transição Ecológica em Andamento no Brasil

 

O Catalisador Global para Negócios e Financiamento Sustentável

A jornada em direção a uma economia sustentável é impulsionada por um ecossistema em rápida evolução de regulamentações, incentivos de mercado e investimentos estratégicos. Na Europa, uma mudança significativa na percepção corporativa sublinha essa transição. Uma pesquisa com mais de 2.500 executivos seniores nas principais economias da União Europeia revela um apoio esmagador a regras corporativas vinculativas de sustentabilidade e due diligence, apesar dos debates políticos em curso sobre simplificação. Conforme detalhado no artigo recentemente publicado, “63% dos executivos das cinco principais economias da UE apoiam planos obrigatórios de transição climática para grandes empresas” (E3G, 2025a). Esse apoio deriva de uma compreensão pragmática de que a sustentabilidade aumenta diretamente o valor corporativo, com metade das empresas pesquisadas afirmando que a divulgação de sustentabilidade fortalece as oportunidades de investimento, enquanto 55% a associam à competitividade.

Assim, fica claro que os requisitos ambientais, sociais e de governança (ESG) são cada vez mais vistos como essenciais para a competitividade, o potencial de investimento e o posicionamento global, em vez de meramente um ônus regulatório ou, pior, uma moda passageira sem base técnica. Além disso, uma maioria substancial dos entrevistados (68%) acredita que a UE deveria liderar, pelo exemplo, no estabelecimento de padrões globais de sustentabilidade, refletindo o desejo por estruturas claras e consistentes que evitem a fragmentação e facilitem o comércio internacional. A apreensão entre os líderes empresariais em relação às reformas da UE, particularmente o risco de ‘divergir dos padrões internacionais, como as diretrizes da OCDE, potencialmente aumentando custos e riscos legais’, sublinha a importância crítica do alinhamento global na divulgação de sustentabilidade (já publiquei um artigo sobre este tema).

 

Simultaneamente na Ásia, Hong Kong está assumindo um papel de liderança no que poderíamos chamar de “finanças verdes”. Desde 2019, Hong Kong expandiu significativamente seu programa de títulos verdes, emitindo aproximadamente HK$ 240 bilhões (£ 21 bilhões) em títulos governamentais verdes, alocando esses fundos para 116 projetos diversos, cobrindo tratamento de águas residuais, edifícios de baixo carbono e infraestrutura de adaptação climática.

 

A estratégia de Hong Kong não se limita à captação de capital; ela vai muito além, fornecendo um ecossistema abrangente para finanças sustentáveis, incluindo uma taxonomia interoperável alinhada com os arcabouços da China Continental e da UE e, crucialmente, a adoção de padrões de divulgação de sustentabilidade alinhados ao ISSB até 2028, com a divulgação relacionada ao clima já sendo implementada em fases para empresas listadas a partir de 2025. Essa abordagem proativa demonstra uma clara compreensão de que uma divulgação confiável e globalmente comparável é essencial para atrair capital internacional e manter a liderança de mercado no campo das finanças sustentáveis.

 

O Posicionamento Estratégico do Brasil na Transição Ecológica

A mudança global em direção à sustentabilidade tem implicações diretas e profundas para o Brasil, uma nação dotada de biodiversidade inigualável e significativo potencial para o desenvolvimento econômico verde. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) demonstrou um compromisso fundamental com essa transição ecológica ao lançar uma de suas maiores iniciativas de investimento público em quase uma década: R$ 10 bilhões (aproximadamente US$ 950 milhões) em renda variável até 2025, com metade alocada diretamente a empresas que promovem a descarbonização, inovação e projetos de transição ecológica. Espera-se que essa alocação estratégica mobilize mais de R$ 30 bilhões até 2026 por meio da alavancagem de capital privado, com foco em ‘transição energética, soluções baseadas na natureza e tecnologias de baixo carbono’.

 

Em paralelo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil demonstrou liderança global ao estabelecer a adoção obrigatória das normas IFRS S1 e S2 para todas as empresas listadas na B3. Esta decisão pioneira posiciona o mercado de capitais brasileiro na vanguarda da transparência em sustentabilidade, elevando os padrões de divulgação e a comparabilidade para investidores. Tal movimento não só fortalece o ambiente ESG no país, mas também aumenta a atratividade para capital internacional focado em sustentabilidade.

‘ESG não é uma tendência, é o modus operandi do século XXI.’

Essa iniciativa representa uma mudança significativa em relação às práticas passadas, priorizando empresas que demonstram não apenas sólida viabilidade financeira, mas também compromissos claros com a redução de emissões e inovação escalável. Essa reorientação posiciona o Brasil como ‘terreno fértil’ para cultivar um mercado de capitais transparente e orientado ao impacto social e vice-versa (interdependência), promovendo o crescimento em setores críticos como energia renovável, transporte limpo, agronegócio sustentável e bioeconomia. Para o Brasil, alavancar seu vasto capital natural de forma responsável, particularmente a Floresta Amazônica (sem esquecer outros biomas como o Pantanal, entre outros), torna-se não apenas uma demanda ambiental, mas também uma monumental oportunidade econômica. O compromisso do BNDES e da CVM poderá estabelecer o Brasil como líder em financiamento e o fornecimento de ‘finanças sustentáveis’ na América Latina, atraindo capital nacional e internacional ávido por investir em projetos confiáveis e ambientalmente amigáveis. Contudo, para capitalizar plenamente esse potencial, um robusto arcabouço de padrões globais de divulgação é essencial.

 

A Necessidade Global de Financiamento Sustentável e Divulgação de Informações: Perspectivas da Europa, Ásia e a Transição Ecológica em Andamento no Brasil

A Urgente Necessidade de Padrões Globais de Divulgação: IFRS S1, S2

O cenário fragmentado da divulgação de sustentabilidade tem historicamente representado um desafio tanto para investidores quanto para empresas, dificultando a comparabilidade e impedindo a alocação eficiente de capital para iniciativas sustentáveis. A criação do International Sustainability Standards Board (ISSB) e a emissão das IFRS S1 (Requisitos Gerais para a Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade) e IFRS S2 (Divulgações Relacionadas ao Clima) representam um passo monumental em direção à harmonização global. Esses padrões fornecem uma base abrangente e globalmente consistente para as divulgações financeiras relacionadas à sustentabilidade, permitindo que os investidores tomem decisões baseadas em informações e dados mensuráveis / padronizados, e que as empresas comuniquem seu desempenho de sustentabilidade de maneira confiável.

 

A relação intrínseca entre esses padrões globais e o impulso contínuo em direção à sustentabilidade é evidente em todos os países:

  1. Fragmentação Regulatória: Como a pesquisa executiva da UE destacou preocupações sobre divergências de padrões internacionais, IFRS S1 e S2 oferecem uma estrutura globalmente aceita que pode evitar essa fragmentação. A adoção desses padrões reduz a complexidade para empresas multinacionais e aumenta a comparabilidade dos dados de sustentabilidade entre jurisdições/países;
  2. Fluxo de Capital: A adoção explícita por Hong Kong de padrões alinhados ao ISSB demonstra como os principais centros financeiros estão priorizando estruturas que mantêm sua vantagem competitiva e, assim, atraem capital global. Para investidores que buscam clareza e confiabilidade na divulgação de sustentabilidade, a conformidade com o ISSB sinaliza um compromisso com a transparência e a governança robusta. Uma pesquisa (E3G, 2025) afirma que “metade dos líderes pesquisados acredita que coletar e publicar dados de sustentabilidade melhora o acesso ao capital”, um sentimento que apoia diretamente a proposta de valor do IFRS S1/S2;

 

  1. Aprimoramento da Credibilidade e Confiança: Ao aderir a um padrão universalmente reconhecido, as empresas podem fortalecer sua credibilidade, mitigar riscos associados ao “greenwashing” e construir confiança com os stakeholders. Isso é particularmente crucial para economias em desenvolvimento como o Brasil, onde a transparência e a responsabilidade proporcionadas pelo IFRS S1/S2 podem aumentar significativamente a atratividade de suas oportunidades de investimento verde.

Especialmente para nós brasileiros, as vantagens da implementação precoce das IFRS S1 e S2 em nosso país são multifacetadas e altamente estratégicas:

  • Fortalecimento de Iniciativas Verdes Nacionais: O foco do BNDES em “compromissos claros de redução de emissões” e em um “mercado de capitais impulsionado pelo impacto” será significativamente reforçado pela adoção do IFRS S1/S2. Esses padrões fornecem as métricas e o arcabouço para medir, relatar e verificar consistentemente o impacto de seus investimentos verdes, garantindo a responsabilização e maximizando a eficácia dos esforços nacionais;
  • Conformidade Future-Proof: À medida que as regulamentações globais convergem cada vez mais para os padrões ISSB, a adoção precoce por entidades brasileiras mitigará futuras cargas de conformidade, permitindo que se adaptem suavemente em vez de reagir às pressas;
  • Atrair “Capital Verde” Internacional: O alinhamento com os padrões ISSB sinaliza o compromisso do Brasil com as melhores práticas internacionais em relatórios de sustentabilidade (apesar da quantidade de frameworks de relatórios existentes), tornando suas empresas e projetos mais atraentes para investidores globais, cada vez mais focados no desempenho ESG. Isso, sem dúvida, desbloqueará o investimento direto estrangeiro na expansão dos setores verdes apoiados pelo BNDES;
  • Aumento da Competitividade: Empresas brasileiras que adotarem IFRS S1/S2 precocemente (antes do prazo estabelecido pela CVM) poderão obter uma vantagem competitiva significativa. Ao fazê-lo, demonstrariam gerenciamento proativo de riscos, governança robusta e uma abordagem prospectiva em relação à sustentabilidade, o que poderia levar a custos de capital mais baixos, reputação de marca aprimorada e melhor acesso ao mercado;
  • Reportar Decisões Estratégicas: Os rigorosos requisitos de relatórios do IFRS S1/S2 obrigam as empresas a compreenderem melhor seus riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade. Isso leva a um planejamento estratégico interno mais robusto, melhor alocação de recursos e um modelo de negócios mais resiliente, capaz de navegar pelas complexidades que a transição ecológica impõe. O estabelecimento de cenários, de acordo com o IFRS S2, é uma oportunidade ímpar, pois necessariamente reúne áreas da empresa que normalmente não têm o hábito de se sentar ‘na mesma sala’ para discutir cenários para os próximos 2, 5 ou até 10 anos, como (há exceções, é claro) mas não se limitando a: controles internos, sustentabilidade, HSE, tesouraria, contabilidade, operações, recursos humanos, compras, operações e Diretoria;

 

O Papel Essencial das Empresas de Tecnologia da Informação (TI) na Transformação Sustentável

As empresas de Tecnologia da Informação (TI), incluindo gigantes da tecnologia como Google, Microsoft e LinkedIn, juntamente com suas extensas redes de prestadores de serviços, estão intrinsecamente ligadas ao debate global sobre sustentabilidade. Primeiramente, como grandes consumidoras de energia, especialmente para centros de dados e infraestrutura extensa, essas empresas enfrentam sua própria necessidade operacional de alcançar emissões líquidas zero e de obter energia renovável. Seus objetivos internos de sustentabilidade frequentemente ultrapassam os limites da tecnologia verde e da eficiência operacional, estabelecendo referências para outras indústrias. Além de sua pegada ambiental direta, as empresas de TI são facilitadoras cruciais da agenda de sustentabilidade mais ampla. Elas desenvolvem e implementam softwares avançados, inteligência artificial e ferramentas de análise de dados que permitem que empresas de todos os setores meçam, monitorem, relatem e otimizem seu desempenho ambiental e social. Desde plataformas de transparência da cadeia de suprimentos usando blockchain até sistemas de gerenciamento de energia baseados em IA, essas soluções tecnológicas fornecem a infraestrutura essencial para a coleta robusta de dados ESG e a tomada de decisões estratégicas, o que é fundamental para a adesão a padrões como IFRS S1 e S2.

 

A Necessidade Global de Financiamento Sustentável e Divulgação de Informações: Perspectivas da Europa, Ásia e a Transição Ecológica em Andamento no Brasil

E o que as empresas de TI ganham na prática? O que isso tem a ver comigo?

Essas são as perguntas mais frequentes que recebo de meus clientes de empresas de TI, e minha resposta para eles é direta:

  • Primeiro, ao oferecer soluções ESG inovadoras, elas abrem novas oportunidades de mercado, atendendo à crescente demanda por ferramentas que facilitam a divulgação de sustentabilidade, conformidade e melhoria de desempenho. Isso as estabelece como parceiras indispensáveis na transição verde global (sejam elas gigantes da indústria ou empresas menores);
  • Segundo liderar em sustentabilidade aprimora a reputação da marca, atraindo os melhores talentos que buscam cada vez mais carreiras com propósito e fortalecendo a lealdade do cliente entre consumidores e empresas ambientalmente conscientes.
  • Terceiro, ao otimizar suas próprias operações para a sustentabilidade, elas alcançam economias significativas de custos por meio da redução do consumo de energia e do desperdício. Em última análise, seu papel vai além da mera conformidade; elas são as arquitetas das ferramentas digitais que permitirão que as indústrias globais atinjam seus objetivos de sustentabilidade, criando um poderoso ciclo de inovação e criação de valor.

 

De forma inovadora, meu trabalho à frente do Conselho ESG na ASSESPRO-SP, que teve início em 2025, tem sido exatamente nessa direção e, como parte da agenda contínua tanto do Presidente Lobo quanto do Vice-Presidente MAC da ASSESPRO-SP, começa a tomar forma para que em 2026 possamos efetivamente começar a mudar o status quo, oferecendo soluções lucrativas, produtivas e sustentáveis aos nossos associados.

Como exemplo de iniciativas cito o GT-Grupo de Trabalho (Membros: Adriano M., Alivinio Almeida, Carlos Camargo, Felícia Hauache, Flavio Ferrari, Marcel Fiszner, Marco Carvalho, Renato faria Almeida, Waldemar Lobo e Werther Krause) que está remodelando a governança da instituição, contribuindo assim para um ambiente mais transparente, profissional e rentável para todos os associados da ASSESPRO-SP.

 

Conclusão Sobre Financiamento Sustentável

A trajetória em direção a uma economia global sustentável é clara, caracterizada por uma convergência de expectativas regulatórias, inovação financeira e compromisso corporativo. Desde executivos europeus defendendo due diligence robusta até as ambiciosas iniciativas de finanças verdes de Hong Kong e os ambiciosos investimentos (BNDES) e a regulamentação (CVM) liderados pelo Estado brasileiro na transição ecológica, a trajetória é inequívoca.

Para o Brasil, especificamente, as atuais iniciativas do BNDES representam um poderoso compromisso com a inovação verde. Contudo, para realmente destravar seu potencial como líder na economia verde global, alinhar-se e adotar os padrões internacionais de divulgação de sustentabilidade, particularmente IFRS S1 e S2, não é apenas vantajoso, mas uma condição para o sucesso. A implementação precoce consolidaria a credibilidade do Brasil, atrairia capital internacional crucial, aumentaria a competitividade de nossas empresas e garantiria que nossa jornada rumo a um futuro sustentável seja transparente e impactante. A integração de padrões globais de divulgação, juntamente com investimentos estratégicos nacionais, oferece o caminho mais robusto para o Brasil capitalizar seu dote natural único e contribuir significativamente para uma economia global resiliente, lucrativa e de baixo carbono.

Carlos Camargo – Diretor de ESG FEDERAÇÃO ASSESPRO-SP

Referências Bibliográficas

  • BNDES. BNDES Commits $950M to Green Innovation and Ecological Transition. [S. l.]: BNDES, 2025.
  • E3G. European Executives Back Stronger Sustainability and Due Diligence Rules: E3G Survey. [S. l.]: E3G, 2025.
  • E3G. What European business Leaders think about the EU’s corporate sustainability and due diligence rules. [S. l.]: E3G, 2025a.
  • HONG KONG SPECIAL ADMINISTRATIVE REGION. Hong Kong Expands $31B Green Bond Program to Fund Climate Projects. [S. l.]: Hong Kong Special Administrative Region, 2025.